Paysage D’hiver – Caminhando no Passo do Inferno

Para ler ouvindo 
Paysage d'Hiver - Ausklang 
Paysage d'Hiver - Schnee II 

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O inverno nem tinha chegado ainda mas as temperaturas despencaram rapidamente aqui na cidade. Por algumas semanas as mínimas ficaram abaixo dos 10ºC e a previsão para o fim de semana era de temperaturas negativas. Na serra do estado a previsão era de frio intenso e isso foi a desculpa que nos faltava. Fazia um tempo que adiávamos a vontade de revisitar São Francisco de Paula e já tínhamos umas trilhas separadas.

Uma delas, a Trilha das Oito Cachoeiras, acabamos descobrindo que iniciava num terreno de uma pousada que não possuía lugar para acampar, isso envolveria dois custos, o de camping e o de ingresso à propriedade privada e quatro longos deslocamentos de carro para a trilha e de volta dela, porque nossa intenção era dividir o percurso de quase 16 quilômetros em dois dias. Achamos outros campings e um deles, o camping do Parque da Cachoeira, estava muito próximo de duas trilhas que encontramos na internet. Além disso, o Parque contava com duas trilhas dentro da própria propriedade que apesar do meu ceticismo com essas trilhas de parques particulares, me deixou motivado pois não nos faltaria opção.

Sábado – 1º dia

Saímos um pouco antes das 08:00. Depois de duas horas de estrada, entramos na estrada de chão que leva para o Parque das Cachoeiras, outras propriedades rurais e algumas pequenas represas para geração de energia. Logo antes da entrada do parque uma linda ponte metálica conecta as duas montanhas que o rio Caí corta. Descendo do carro o frio mordeu, mas mesmo assim ficamos ali observando a estrutura, o ar gelado e o rio lá embaixo, distante. Tomamos nosso tempo até finalmente cruzar a ponte e fazer a identificação na recepção do parque. A área destinada para camping é toda “reflorestada” com Pinus o que dá bastante cobertura do sol e deve ser uma vantagem no verão, já o restante do parque tem um aspecto mais natural, com cobertura de mata ciliar e campos de cima da serra. Buscamos uma área protegida do vento gelado, eu procurava alguma vista também, mas não dava para ver nada além das linhas de pinus. A área é toda inclinada, mas com platôs criados para montar as barracas. Nessa hora bateu a diferença de ficar em um camping estruturado em relação à acampar selvagem, todas as tomadas, as lâmpadas, as mesas e os banheiros por todos os lados. Mesmo sabendo desde o inicio que íamos ficar em um camping viemos carregando baterias externas, filtros d’água, lanternas e tudo mais para sermos autonomes. Porém essas facilidades de um camping estruturado iam ajudar a compensar o frio e no final das contas, tínhamos o camping inteiro só para nós.

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Armamos as três barracas para abrigar nós cinco em volta de uma mesa e churrasqueira, cozinhamos rapidamente uma massa com pesto e seleta de legumes, e depois de comer e dar uma breve pausa saímos para a primeira trilha. Como estávamos atrasades, optamos por uma trilha curta que o pessoal na recepção sugeriu, a Trilha do Pico da Bandeira, uma rota íngreme morro à cima, logo depois de cruzar a ponte de ferro. A subida foi forte mas não levamos mais do que 15 minutos para subi-la bem lentamente. A vista do topo é muito bonita, de lá pode-se ver a confluência dos rios Cará e Caí, a cachoeira, a ponte, e todo o parque. Lá de cima avistamos também uma trilha do outro lado do rio que saía da mata e serpenteava uma colina de campo. Parecia com uma das trilhas que encontramos na internet.

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Depois de curtir um pouco a vista e o sol no topo, retornamos para o parque, devolvi a chave do portão de acesso à trilha que tínhamos acabado de fazer (sim, a trilha tem entrada cadeada) e confirmei que a trilha que avistamos do topo era a Trilha dos Xaxins Gigantes (que no wikiloc era nomeada como Trilha Circular Dentro do Parque das Cachoeiras – Área nova).

A Trilha dos Xaxins Gigantes é uma trilha circular de pouco menos de 4km que se inicia dentro da mata de xaxins antes de sair pelos campos, passando por algumas ruínas até voltar a mata costeando o rio Cará. Alguns trechos eram de descidas escorregadias e bem expostas, mas tinham cordas bem posicionadas para garantir a caminhada em segurança. Nós levamos cerca de 2h30 fazendo longas pausas, primeiro para um lanche nas ruínas na metade do caminho e depois na beira do rio cogitando a possibilidade de um mergulho (não tivemos coragem de encarar o frio – por hora).

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De volta ao acampamento, hora de reanimar a fogueira improvisada na churrasqueira e aproveitar os últimos raios de sol. Eu, ansioso, já fui fazendo o pré-preparo do jantar: cuscuz com molho de tomate e grão de bico. Sentamos à mesa para jantar já reclamando do frio, o assunto não saía disso, o medo do frio que iria fazer mais tarde e como suportá-lo se já estávamos usando todas nossas roupas. Depois de jantar tomamos um chocolate quente, sem pausa alguma, ansioses para entrar em nossas barracas e sacos de dormir e se aquecer.

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Domingo – 2º dia

A noite foi terrível para umes e tolerável para outres, a temperatura sem dúvida baixou de zero, mas não sabemos o quanto. Muitas coisas estavam congeladas quando acordamos. Fomos levantando de acordo com a qualidade do sono e aos poucos dando inicio ao dia. A minha experiência não foi das piores, com dois isolantes térmicos, saco de dormir conforto 0ºC e várias camadas de roupa, tive uma noite relativamente boa.

Café da manhã ingerido, barracas desmontadas e guardadas e partimos para a Trilha da Toca. Outra trilha dentro do parque e também com aproximadamente quatro quilômetros de extensão, a única diferença é que essa é em sentido único costeando o rio Caí até a Toca e a Cachoeira Escondida, ou seja, dois quilômetros para ir e dois para voltar pela mesma trilha.

Apesar do frio noturno, o sol saiu com força na manhã e nos acompanhou por toda a trilha. Enquanto íamos costeando o rio numa de trilha de rolagem fácil, os casacos iam se indo para as mochilas. Não muito depois chegamos na tal da Cachoeira Escondida, que devido a baixa quantidade de chuvas era uma série de quedas menores descendo de um paredão protuberante e irregular para uma enorme piscina. Tínhamos os corpos aquecidos da caminhada e o sol inundava a piscina… não precisamos de muito convencimento para um mergulho! Minha vontade era de mergulhar e nadar por aquela piscina, mas a água estava tão gelada que ninguém durou mais que alguns segundos submerses.

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Depois de retornar para a pedra quentinha, deixar o sol nos secar e fazer um lanche, retornamos pela mesma trilha. Logo que saímos nos deparamos com um buraco e resolvemos investigar. Era a tal da Toca que também da nome a trilha e que não avistamos na ida, duas grandes rochas sobrepostas com uma passagem no meio que dá em uma pequena ilha. Essa ilha tinha uma vista mais completa da cachoeira e era uma das barreiras que mantinha a piscina. Ficamos apenas alguns momentos ali já que metade do grupo tinha disparado na frente sem perceber a entrada da toca.

No fim das contas foi uma experiência interessante, acampar em temperaturas super baixas, ter um camping inteiro só para nós e conhecer trilhar fáceis e bem demarcadas, algo incomum na região de Porto Alegre. Acabamos não tendo tempo para percorrer uma outra trilha que tínhamos separado do Wikiloc, a Trilha do Passo do Inferno que era um pouco mais longa e fora dos limites do parque, mas as trilhas dentro do parque foram uma ótima surpresa.

 

2 pensamentos sobre “Paysage D’hiver – Caminhando no Passo do Inferno

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