Trilhos da Tigra – Travessia Colombo – Muçum – Parte 2

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Continuação…

A chuva não veio, apesar de que o medo dela tirou meu sono e meu saco de dormir não venceu o pouco frio que fez. Os dois trens que passaram na madrugada também nos acordaram, mas isso era esperado e pode-se dizer antecipado até, durante todo o primeiro dia não tinhamos visto um trem sequer. Acordamos de fato pouco antes das 06:00 e depois de desarmar o acampamento e tomar o café-da-manhã, reiniciamos a caminhada. O dia amanheceu nublado, mas ainda nada da chuva para nossa sorte. Estávamos divididxs entre tocar todo o dia e concluir a trilha, ou manter um ritmo mais tranquilo, acampar mais um dia e deixar alguns quilômetros finais para o dia seguinte. Como sempre os principais motivadores das decisões eram o cansaço versus a possibilidade de chuva torrencial que prometia a previsão.

Tínhamos provisões para fazer a trilha em três dias porque apesar de serem apenas 40km, todos os relatos falavam em grandes desafios para caminhar nos trilhos. Estávamos doloridxs e cansadxs dos trilhos, mas ainda assim conseguindo manter uma velocidade de caminhada boa e não seria muito difícil chegar Muçum. Com paradas curtas a cada uma hora, fomos comendo quilômetros durante toda a manhã, mesmo quando começou a tão esperada chuva. Passava do meio-dia quando paramos na entrada de um túnel para almoçar; cardápio de hoje: massa de arroz com pesto de tomates secos. A essas alturas já tínhamos caminhado mais da metade do que tínhamos para percorrer, e ainda tínhamos toda a tarde, chovia e nos convencemos de que a trilha terminava hoje, voltaríamos para casa e descansaríamos antes de voltar às nossas rotinas.

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O intervalo do almoço foi curto, eu tava sonhando com uma sesta pós-refeição com as pernas para cima, mas o túnel do trem não proporcionou tamanho conforto. Voltamos a bater pernas túnel após túnel e ponte depois de ponte, a chuva ia e vinha e a cada parada era um tira e põe casaco sem fim. Os principais “pontos de interesse” tinham ficado para trás, o viaduto V13 ( que é o 2º viaduto ferroviário mais alto do mundo) , o túnel de vários quilômetros de extensão e os vales imensos, agora a cada passo a paisagem se tornava mais cheia de traços de civilização. Última parada para descansar na estação abandonada de Muçum, com suas cabines de venda de passagens e bancos para xs passageirxs aguardarem seus trens. Fiquei pensando em como seria legal se ainda houvessem trens de passageirxs. Da estação para a cidade de Muçum de fato foram poucos passos, logo tínhamos trocados os trilhos pelas calçadas e o povo da cidade, sentado nas varandas e bares, nos olhava com um certo espanto de quem já viu esse tipo de gente um bocado, mas ainda não compreende o que leva alguém à fazer a caminhada. A gente sabia bem por que tinha dado o primeiro passo, mas estávamos bem contentes de estar finalmente chegando. Chegamos no carro, inspecionamos nossos pés, fizemos um café turco, matamos todos os pacotes de bolacha recheada e pastelina que tínhamos nas mochilas e pegamos a estrada. Agradecemos pelo fim de semana razoavelmente quente para o inverno da região serrana do Rio Grande do Sul se não teríamos passado muito mais trabalho, e ainda no estrada começamos a marcar a próxima viagem.

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Essenciais:

  • Lanterna – de preferência de cabeça para manter as mãos livres. São muitos túneis onde a visibilidade é zero e o chão é irregular e cheio farpas de trilho.
  • Água – quando fizemos o trajeto havia chovido muito nos dias anteriores e a água era abundante, mas muitos relatos falam em grande dificuldade de achar água, principalmente nos meses mais secos. A água ao redor da trilha não é das mais confiáveis, é bastante recomendado usar alguma tipo de filtragem/tratamento.
  • Calçados robustos e confortáveis – o maior desafio nesse trajeto é o piso irregular, durante todo o trajeto o pé aterrissa em uma brita graúda e pontuda que cansa bastante. Nossos calçados voltaram vivos, mas muitos não tiveram a mesma sorte segundo os muitos relatos da internet.

Dispensáveis:

  • Bastões de caminhada – totalmente impossível de usá-los nessa trilha… a pedra solta, os trilhos e os vãos nas pontes fazem com que os bastões não sirvam para auxiliar na caminhada. (no nosso caso levamos um par mesmo assim porque uma das barracas depende deles para sustentação)
  • GPS – O caminho todo segue os trilhos do trem, não existem bifurcações ou outros pontos que possam deixar dúvida qual caminho seguir. Além disso, existem marcações ferroviárias a cada tantos quilômetros indicando a distância percorrida. Mesmo assim logs colaborativos como os do wikiloc podem ajudar a encontrar água, pontos de acampamento, etc.

Nosso log no Wikiloc você pode ver aqui.
A lista de itens que eu levei comigo você pode baixar nesse link Lista Geargrams Ferrovia.

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